A felicidade é sempre o caminho. É um baile de máscaras veneziano. É motivo para acordar de manhã. É fogo de artifício. É motivo para amar. É motivo para acabar. É estátua de jardim num palácio feito de sonhos. É um lugar perto demais da imaginação. É fonte onde corre água quando se tem sede. Quem não a quer? Quem nunca se enganou, julgando-a por perto ou para breve ou para sempre?
Para sempre é sempre por um triz...Buarque sabia.
Procuram-se sinais da sua presença. Terá cheiro?
As regras do seu jogo são escritas em língua nenhuma. Joga-se por teimosia numa torre de babel. Troca-se por créditos num mercado de emoções. Troca-se como cromo repetido quando o que se julgava ser já não é. A felicidade não é reciclável. Não pode ser emprestada. Pede-se o tamanho acima ou o tamanho abaixo do que não se pode medir.
Dá-se muitas vezes a troco de nada ...se esse nada nos parecer tudo.
A felicidade gosta de jogar às escondidas como se fosse criança. E se calhar é. Salta para dentro dos mais desprevenidos. Aparece sem avisar e desaparece como palavras escritas à beira mar. Não fica marcada em ninguém. Por mais que se tente, não se apanha por contágio. Não se compra bilhete para entrar. Não se pode tê-la hoje quando não se sabe se volta amanhã. Não tem sítio certo, nem sítio algum sequer onde procurar.
Que eu fique desprevenida, então, à sua espera. Tomo banho, ponho perfume e visto-me com cerimónia...não vá ela aparecer ao virar da esquina...
...como se fosse possível reconhecê-la...
Ah!...ser feliz...é sempre sempre por um triz...